Dia e noite, ocupada ou sem nada para fazer, feliz ou triste, a ouvir a minha música ou a cantar, a ouvir ou a falar, em qualquer momento o meu único pensamento é "voltar"! Voltar é a única palavra que teima em ficar na minha cabeça, nos meus movimentos, nos meus olhos. Tudo o que faço, tudo o que sinto gira à volta de uma única palavra. Sim, descobri que uma vida pode resumir-se (nos últimos tempos) a uma qualquer palavra, que define tudo o que quero, tudo o que sonho.
Pela segunda vez perdi o mais importante da minha vida! Como é que um desporto pode ser o mais importante da vida de alguém, não é verdade!? Até eu estranho como a importância do basquete se apoderou de mim, como uma bola e um cesto conseguem fazer tanto sentido na vida, na minha vida.
Um jogo que se torna num escape de tornar o insuportável em doloroso, o doloroso em suportável, o suportável em bom, o bom em óptimo. Um jogo que injecta uma dose de vida e de vontade de jogar incontrolável e sem qualquer tipo de explicação. Um jogo que nos encaminha para uma enorme lista de emoções, que vai desde a euforia da vitória, ao orgulho de uma boa exibição, à entreajuda que só um jogo colectivo consegue ensinar, ao saber perder, ao saber ganhar, ao trabalho árduo (e não falo só de suor), ao respeito, ao fair-play. Ensinamentos para a vida e mandamentos para qualquer jogador.
Quando o basquete deixa de ser só um desporto e passa a ser um estilo de vida, quando o clube passa a ser uma escola e uma casa, quando os treinadores passam a ser como professores ou pais, quando os colegas de equipa/clube passam a ser amigos e irmãos... Quando os treinos não são só um modo de nos tornarmos melhores jogadores individuais e colectivos e passam a ser, para além disso, um modo de escape para mandar as frustrações para o cesto - em vez de mandar para outro lado. É um mundo brilhante, recheado de pessoas excelentes. Quando o basquete deixa de ser um desporto e passa a ser O DESPORTO, qualquer um seria automaticamente dependente de uma bola e um cesto.
Só quero voltar para a rotina e aprendizagem diária... Só quero sentir de novo o MEU desporto crescer e eu crescer também, juntos.
Só peço que voltes, ou que me deixes voltar a viver-te, para me voltar a perceber e a encontrar. Dás sentido à minha vida como nada consegue dar, tirarem-me é infinitas vezes pior do que tirar uma agulha a um drogado.
Não peço muito: um bom joelho, uma bola e um cesto. Juro-te basquete, quando voltares, vou voltar a fazer tudo o que for preciso para nunca mais te largar.
Porque sem ti, meu grande amor, podia ser qualquer coisa, mas continuava sem ser basquetebolista. VOLTA, peço-te!
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